Imagine poder comprar uma ação dos Estados Unidos, mantê-la em uma estrutura de corretagem tradicional e, em determinados casos, convertê-la em um token na blockchain para movimentá-la em sua própria carteira.
Essa é uma das ideias que a Backpack está tentando transformar em infraestrutura financeira.
A empresa nasceu dentro do universo cripto, ficou conhecida pela carteira Backpack e pelo ecossistema Solana, criou uma exchange, lançou seu próprio token e agora está aproximando dois mercados que durante muito tempo funcionaram de maneira quase separada: criptomoedas e ações tradicionais.
Essa estratégia tem feito algumas pessoas compararem a empresa com a Binance no início de sua trajetória.
Mas será que chamar a Backpack Exchange de “próxima Binance” realmente faz sentido?
Neste artigo do Uai Invest vamos separar fatos, planos e especulação para entender o que a Backpack está construindo, como funcionam suas ações tokenizadas, qual é a situação nos Estados Unidos e na Europa, como funciona o token BP e por que sua estrutura é tão diferente da criada pelo BNB.
O que é a Backpack Exchange?
A Backpack nasceu em 2022, fundada por Armani Ferrante, desenvolvedor conhecido no ecossistema Solana.
O projeto começou com a Backpack Wallet, uma carteira de autocustódia, e posteriormente expandiu para a Backpack Exchange e para o ecossistema Mad Lads.
Hoje, a marca reúne diferentes produtos e empresas que podem variar de acordo com o país e a regulamentação local.
Entre eles estão:
- exchange de criptomoedas;
- negociação spot e de derivativos onde permitido;
- Backpack Wallet, carteira de autocustódia;
- Backpack Securities e serviços relacionados a ações e ETFs dos EUA;
- valores mobiliários tokenizados na Solana;
- token BP, ativo nativo do ecossistema.
A Backpack Exchange faz parte de uma estratégia maior que pretende reunir criptomoedas, corretagem, ativos tokenizados e autocustódia em um mesmo ecossistema.
É importante entender essa estrutura porque dizer simplesmente que “a Backpack é regulamentada” pode gerar uma impressão errada.
Na prática, diferentes empresas do grupo possuem registros e licenças diferentes em determinadas jurisdições.
Se você ainda está conhecendo esse mercado, veja também nosso guia sobre como escolher uma exchange de criptomoedas.
A história da Backpack também passa pela quebra da FTX
A história da empresa possui uma ligação curiosa com um dos maiores colapsos da história das criptomoedas.
Quando a FTX quebrou em novembro de 2022, a Backpack tinha uma grande parcela de sua tesouraria corporativa depositada na exchange.
Segundo a própria Backpack, a empresa perdeu 88% de sua tesouraria corporativa que estava presa na FTX.
Mesmo assim, o projeto continuou operando e expandiu seus produtos nos anos seguintes.
A história ganhou uma nova reviravolta em janeiro de 2025, quando a Backpack adquiriu a FTX EU por aproximadamente US$ 32,7 milhões.
A operação trouxe para o grupo a antiga estrutura europeia da FTX e uma licença de empresa de investimento no Chipre, além da responsabilidade de concluir a restituição aos antigos clientes elegíveis da FTX EU.
O que é a Backpack Securities?
É aqui que a história fica ainda mais interessante.
Em junho de 2026, a Backpack lançou a fase pública da Backpack Securities.
A ideia é combinar três elementos:
- acesso a valores mobiliários por meio de infraestrutura tradicional de corretagem;
- tokenização desses ativos em blockchain;
- integração entre ações, cripto, stablecoins e outros ativos dentro da plataforma.
Na estrutura apresentada pela Backpack, investidores elegíveis podem comprar e manter determinadas ações e ETFs dos Estados Unidos como security entitlements dentro da infraestrutura de corretagem.
Essas posições podem incluir direitos relacionados ao ativo tradicional, como dividendos e eventos corporativos, conforme a estrutura e as condições aplicáveis.
Para determinados ativos existe ainda uma segunda possibilidade: convertê-los em valores mobiliários tokenizados na Solana.
Então a Backpack abriu uma corretora de ações nos Estados Unidos?
Não exatamente — e essa distinção é muito importante.
A Backpack oferece acesso a ações dos Estados Unidos, mas isso não significa que a Backpack Securities tenha simplesmente aberto uma corretora americana disponível normalmente ao investidor de varejo residente nos EUA.
A própria empresa tem descrito sua oferta de ações como uma forma de ampliar o acesso de investidores internacionais ao mercado americano.
Ao mesmo tempo, existe uma operação chamada Backpack US trabalhando na expansão da empresa dentro dos Estados Unidos.
Em março de 2026, ao anunciar Mark Wetjen como presidente da Backpack US, a própria empresa afirmou que os Estados Unidos continuavam sendo seu mercado mais importante ainda não totalmente desbloqueado.
A estratégia americana vem sendo construída gradualmente, com registros e licenças estaduais.
Portanto, existem três coisas diferentes que não devem ser confundidas:
- ações americanas: são os ativos que a plataforma permite negociar;
- infraestrutura financeira americana: é utilizada em partes da estrutura de corretagem e transferência;
- operação da Backpack para clientes nos EUA: continua em processo de expansão regulatória.
Essa diferença é fundamental para entender corretamente o projeto.
Como funcionam as ações tokenizadas da Backpack?
Imagine que determinado investidor tenha uma posição elegível em uma ação dentro da estrutura de corretagem da Backpack Securities.
Para determinados ativos suportados, essa posição pode ser convertida em um token na blockchain Solana.
Segundo a Backpack, seus valores mobiliários tokenizados podem ser convertidos de volta, na proporção de 1:1, para o direito correspondente sobre o ativo tradicional através de sua infraestrutura de corretagem.
Isso é diferente de simplesmente criar um token sintético que tenta acompanhar o preço de uma ação.
Entre os ativos que já apareceram na estrutura tokenizada da Backpack estão empresas e ETFs dos mercados tradicionais.
Esses produtos possuem características e riscos próprios e não devem ser tratados como se qualquer token que utiliza o nome de uma empresa fosse automaticamente equivalente a uma ação tradicional.
Por que a tokenização é tão importante?
Uma ação tradicional normalmente vive dentro da infraestrutura de corretoras, custodiantes, sistemas de compensação e bolsas.
Um ativo tokenizado pode ganhar outra característica: programabilidade e movimentação em blockchain.
Isso abre possibilidades como:
- transferência onchain;
- autocustódia em estruturas compatíveis;
- negociação fora do horário tradicional em determinados mercados;
- integração com aplicações DeFi;
- uso futuro em diferentes formas de infraestrutura financeira baseada em blockchain.
Para entender melhor a diferença entre deixar ativos em uma plataforma e mantê-los sob sua própria custódia, veja nosso guia sobre carteiras de criptomoedas.
Mas tokenizar uma ação não elimina as regras do mercado de capitais.
Uma das maiores dificuldades do setor é justamente fazer a tecnologia blockchain funcionar dentro das regras aplicáveis aos valores mobiliários.
A Backpack permite negociar ações 24 horas por dia?
Para determinados ativos, sim.
A plataforma apresenta negociação de ações e ETFs americanos durante as sessões tradicionais e também disponibiliza determinados mercados fora desses horários.
Durante a semana, parte da liquidez está conectada à infraestrutura tradicional dos mercados americanos.
Em fins de semana e feriados, determinados mercados podem continuar funcionando dentro da infraestrutura da Backpack.
Valores mobiliários tokenizados também podem circular onchain fora do horário tradicional, conforme as regras e características de cada produto.
Essa é uma das diferenças mais interessantes entre o mercado tradicional e a infraestrutura que a Backpack está tentando construir.
Quantos ativos tokenizados a Backpack realmente possui?
Aqui existe uma informação que merece cuidado.
Em entrevistas recentes, Armani Ferrante falou sobre uma evolução envolvendo aproximadamente 200 símbolos e uma ambição muito maior, de milhares de ativos.
Isso levou algumas publicações a interpretar que a Backpack já possuía aproximadamente 200 ações próprias tokenizadas.
Essa interpretação não é correta.
Em outubro de 2026, a própria Backpack informou que sua plataforma havia chegado a 73 ativos tokenizados desde o lançamento do primeiro ativo em junho.
A empresa também afirmou ter ultrapassado US$ 5 bilhões em volume acumulado de negociação nesse segmento.
Portanto, é importante separar o que já existe daquilo que ainda faz parte da ambição de crescimento.
A meta de milhares de ações na blockchain
A ambição de Armani Ferrante é muito maior do que os 73 ativos atuais.
Ele afirmou publicamente que deseja levar uma parcela muito maior do mercado de ações para a infraestrutura blockchain.
A ideia é construir um sistema no qual um ativo possa circular entre uma estrutura de corretagem tradicional e aplicações onchain por meio de uma experiência integrada.
Mas é fundamental separar objetivo de realidade.
Chegar a milhares de ativos depende de fatores tecnológicos, regulatórios, operacionais e de liquidez.
O que está acontecendo nos Estados Unidos?
A Backpack vem reforçando a equipe americana enquanto tenta ampliar sua presença no país.
Em março de 2026, a empresa contratou Mark Wetjen como presidente da Backpack US.
Wetjen foi comissário e presidente interino da CFTC, órgão americano que supervisiona mercados de derivativos.
Em junho, Michael Piwowar entrou para o conselho da Backpack US.
Piwowar foi comissário da SEC entre 2013 e 2018 e chegou a ocupar interinamente a presidência da agência em 2017.
A contratação de profissionais com esse histórico mostra o peso que a Backpack está dando à estratégia regulatória americana.
O crescimento da Backpack Exchange também está diretamente ligado à estratégia regulatória da empresa em diferentes mercados.
Mas isso não deve ser interpretado como uma aprovação da SEC ou da CFTC à Backpack.
E a nova estrutura regulatória da SEC para ações tokenizadas?
Em setembro de 2026, a SEC anunciou uma medida importante para o mercado de valores mobiliários tokenizados.
A agência criou uma isenção temporária e condicional para determinadas plataformas qualificadas experimentarem modelos de negociação onchain, desde que cumpram uma série de requisitos.
Mas existe uma distinção essencial:
a SEC não concedeu essa medida especificamente à Backpack.
Ela cria um caminho regulatório que plataformas elegíveis podem utilizar caso cumpram as condições estabelecidas pela agência.
Portanto, não deve ser apresentada como uma “licença da SEC para a Backpack”.
A medida pode ser consultada diretamente no comunicado oficial da SEC.
E na Europa?
Na Europa, a estrutura regulatória da Backpack está mais avançada.
A Trek Labs Europe Ltd — anteriormente FTX EU Ltd — aparece no registro da CySEC, o regulador financeiro do Chipre, sob o nome comercial Backpack EU e licença 273/15.
Além disso, em maio de 2026, o Banco Central da Letônia concedeu à Trek Technologies SIA, que opera como Backpack EU, duas autorizações importantes:
- licença para prestação de serviços de criptoativos sob o regime europeu MiCA;
- licença como instituição de pagamento.
Essa estratégia mostra uma característica importante da empresa: crescer mercado por mercado, utilizando estruturas regulatórias diferentes para produtos e regiões diferentes.
O token BP
Outra parte central da estratégia é o BP, token nativo da Backpack.
O BP foi lançado em março de 2026 na blockchain Solana.
A oferta total definida pela Backpack é de 1 bilhão de tokens.
| Fase | Quantidade | Percentual | Estrutura |
|---|---|---|---|
| TGE | 250 milhões | 25% | Distribuição inicial à comunidade |
| Pré-IPO | 375 milhões | 37,5% | Liberações ligadas a marcos de crescimento |
| Pós-IPO | 375 milhões | 37,5% | Tesouraria corporativa, inicialmente bloqueada |
As regras de distribuição e desbloqueio podem ser consultadas diretamente na tokenomics oficial da Backpack Exchange.
Quem recebeu os primeiros BP?
Os 250 milhões de BP liberados inicialmente foram destinados à comunidade.
A Backpack afirma que não houve alocação direta de tokens no lançamento para fundadores, funcionários ou investidores.
A exposição desses grupos ao BP ocorre indiretamente por meio da participação societária e da tesouraria corporativa prevista para o período pós-IPO.
Os próximos BP são liberados automaticamente com o tempo?
Não exatamente.
Os 375 milhões de BP previstos para a fase pré-IPO não seguem simplesmente um calendário mensal tradicional de desbloqueios.
Segundo a tokenomics oficial, as liberações são vinculadas a marcos de crescimento.
Esses marcos podem envolver:
- avanços regulatórios;
- expansão de produtos;
- entrada em novos mercados;
- crescimento da plataforma.
Isso significa que a oferta circulante poderá aumentar ao longo do tempo.
Para quem acompanha a Backpack Exchange, o BP é especialmente interessante porque sua estrutura está relacionada ao crescimento da própria plataforma.
Mas para quem avalia o token como investimento, essa futura expansão da oferta também precisa entrar na conta.
BP pode realmente virar participação na Backpack?
Existe um programa oficial que conecta BP a participação societária — mas o mecanismo é mais complexo do que simplesmente “fazer stake por um ano e ganhar ações”.
O chamado Equity Exchange Program faz parte do Backpack Participant Program.
Na fase inicial, o participante elegível precisa manter BP em staking por pelo menos um ano.
Porém, completar um ano não significa receber ações imediatamente.
O participante precisa permanecer em staking até um IPO ou outro evento de liquidez previsto pelo programa.
Quando esse evento acontecer, participantes elegíveis poderão optar por utilizar BP para adquirir participação societária de um pool de ações reservado ao programa.
Existem ainda requisitos de elegibilidade que podem variar conforme a jurisdição.
São realmente 20% da Backpack reservados ao programa?
No momento em que o programa foi anunciado, a quantidade de ações reservada ao Equity Exchange Program correspondia a aproximadamente 20% do capital então existente da empresa.
Mas existe um detalhe importante.
O pool é fixado em quantidade de ações, e não como uma promessa permanente de 20% da empresa.
Se a Backpack emitir novas ações no futuro, o percentual econômico correspondente ao pool poderá sofrer diluição.
Portanto, não é correto afirmar que o BP garante permanentemente 20% da empresa.
Existe também acesso preferencial a um eventual IPO
A Backpack anunciou ainda benefícios relacionados a um possível IPO futuro.
São mecanismos diferentes do Equity Exchange Program.
Um participante poderá, dependendo das regras e da elegibilidade, ter prioridade em uma eventual alocação de ações sem necessariamente entregar seus BP.
Mas existe uma condição fundamental:
a Backpack ainda não realizou seu IPO e não existe uma data pública garantida para isso acontecer.
Para que serve o BP hoje?
O token não depende apenas do possível IPO.
O Backpack Participant Program inclui benefícios associados ao staking, que podem variar por nível e jurisdição.
Entre eles estão:
- descontos em taxas de negociação;
- redução de determinadas taxas;
- prioridade em lançamentos e produtos;
- benefícios dentro da plataforma;
- participação potencial no Equity Exchange Program;
- possível prioridade em futuras distribuições.
Quanto vale o BP?
Como criptomoedas mudam de preço constantemente, qualquer número precisa ser tratado como uma fotografia de um momento específico.
Em 19 de outubro de 2026, o BP era negociado em torno de US$ 1,08.
Com aproximadamente 250 milhões de tokens em circulação, isso representava uma capitalização de mercado próxima de:
US$ 270 milhões.
Considerando a oferta total de 1 bilhão de BP, o Fully Diluted Valuation (FDV) ficava próximo de:
US$ 1,08 bilhão.
Essa diferença entre Market Cap e FDV é muito importante porque aproximadamente 75% da oferta total ainda não estava em circulação naquele momento.
BP x BNB: por que a comparação chama atenção?
A comparação entre Backpack e Binance aparece principalmente porque ambas nasceram ligadas ao mercado de exchanges e possuem um token próprio.
Mas os modelos são bastante diferentes.
| Característica | BP — Backpack | BNB |
|---|---|---|
| Lançamento | Março de 2026 | Julho de 2017 |
| Oferta inicial/total | 1 bilhão de BP | 200 milhões de BNB originalmente |
| Distribuição inicial | 25% para a comunidade no TGE | ICO, equipe e investidores |
| Venda pública inicial | Não houve ICO tradicional | ICO de BNB |
| Redução de oferta | Sem mecanismo equivalente ao burn do BNB | Possui mecanismos de queima |
| Ligação com equity | Existe programa separado para participantes elegíveis | BNB não representa participação na Binance |
| Utilidade | Staking, benefícios e programas Backpack | Gas, taxas, governança e ecossistema BNB Chain |
O BNB de hoje é muito diferente do BNB de 2017
O BNB começou como um token ligado principalmente à Binance e a descontos em taxas.
Com o tempo, tornou-se também o ativo nativo da BNB Chain.
Além disso, sua oferta vem sendo reduzida através de mecanismos de queima.
Em 19 de outubro de 2026, a BNB Chain anunciou sua 37ª queima trimestral.
Foram retirados de circulação aproximadamente 1,646 milhão de BNB.
Após a operação, a oferta total remanescente informada era de aproximadamente 131,5 milhões de BNB.
Portanto, dizer que o BNB gera valor apenas pela escassez seria uma simplificação.
O modelo combina redução da oferta com ampla utilização dentro do ecossistema BNB Chain.
Backpack e Binance estão na mesma escala?
Não.
E essa é uma das partes mais importantes da comparação.
Em 19 de outubro de 2026, o BP apresentava aproximadamente:
- Market Cap: US$ 270 milhões;
- FDV: US$ 1,08 bilhão.
No mesmo período, o BNB apresentava aproximadamente:
- Market Cap: US$ 95,2 bilhões;
- FDV: próximo de US$ 95,2 bilhões.
Comparando Market Cap com Market Cap, o BNB possuía um valor de mercado aproximadamente 350 vezes maior que o BP.
Comparando FDV com FDV, a diferença ficava próxima de 88 vezes.
Essa segunda comparação é particularmente importante no caso do BP porque grande parte da oferta ainda poderá entrar em circulação.
Olhar apenas para o preço unitário dos tokens, portanto, pode ser enganoso.
Market Cap, FDV, oferta circulante e oferta total precisam ser analisados em conjunto.
E se o BP chegasse a apenas 20% do tamanho do BNB?
A enorme diferença de escala permite fazer um exercício matemático interessante.
Não como previsão de preço, mas apenas como comparação de valuation e possível upside.
Em 19 de outubro de 2026, o FDV do BNB estava próximo de US$ 95,2 bilhões.
Agora imagine, hipoteticamente, que no futuro o BP alcançasse um FDV equivalente a apenas 20% desse valor.
Vinte por cento de US$ 95,2 bilhões seria:
US$ 19,04 bilhões.
Como a oferta total do BP é de 1 bilhão de tokens, a conta ficaria:
US$ 19,04 bilhões ÷ 1 bilhão de BP = aproximadamente US$ 19,04 por BP.
Considerando o BP próximo de US$ 1,08 na data desta análise, esse cenário hipotético representaria aproximadamente:
- 17,6 vezes o preço daquela data;
- upside matemático de aproximadamente 1.660%.
É um número que chama atenção.
Mas existe uma diferença enorme entre espaço matemático para valorização e aquilo que efetivamente acontecerá no mercado.
Para alcançar uma avaliação próxima de US$ 19 bilhões, a Backpack provavelmente precisaria crescer de forma muito significativa.
Isso poderia exigir, entre outras coisas:
- muito mais usuários;
- crescimento expressivo do volume negociado;
- expansão regulatória para novos mercados;
- crescimento da Backpack Securities;
- adoção maior das ações tokenizadas;
- novos produtos;
- execução bem-sucedida da estratégia americana;
- capacidade de competir com exchanges e instituições financeiras muito maiores.
Além disso, é importante lembrar que apenas cerca de 25% da oferta total de BP estava circulando na data desta análise.
Novos desbloqueios podem aumentar a oferta disponível e exercer pressão sobre o preço.
Por isso, o exercício não deve ser interpretado como:
“BP vai chegar a US$ 19.”
A leitura correta é:
“Se algum dia o BP alcançasse um FDV equivalente a 20% do valor atual do BNB, e considerando a oferta total de 1 bilhão de tokens, o preço matemático seria próximo de US$ 19.”
Essa comparação ajuda a visualizar tanto o possível upside quanto o tamanho do crescimento necessário para que ele se torne realidade.
Faça suas próprias contas sobre o upside — mas faça também as contas sobre tudo o que precisa dar certo para que esse upside aconteça.
Por que algumas pessoas enxergam uma “nova Binance”?
Existem alguns paralelos que ajudam a explicar a comparação:
- uma exchange em rápido crescimento;
- um token próprio;
- uma comunidade cripto ativa;
- expansão internacional;
- novos produtos além da simples compra e venda de criptomoedas;
- ambição de construir uma infraestrutura financeira muito maior do que uma exchange tradicional.
Mas também existem diferenças enormes.
A Binance começou em 2017, quando a estrutura regulatória global das criptomoedas era muito menos desenvolvida.
A Backpack está crescendo em um ambiente diferente e declara seguir uma estratégia baseada em licenças, entidades locais e entrada gradual em diferentes mercados.
Além disso, a tese central da Backpack Exchange não parece ser simplesmente construir outra grande exchange.
A aposta maior é tentar conectar TradFi e DeFi: corretagem, ações, stablecoins, criptomoedas e ativos tokenizados dentro de uma infraestrutura integrada.
Quais são os principais riscos da Backpack e do BP?
Apesar das possibilidades, existem riscos importantes.
1. O BP é extremamente volátil
O token já apresentou grandes movimentos em períodos curtos.
Uma narrativa positiva não impede quedas significativas.
2. O IPO ainda é futuro
A empresa afirma que pretende chegar a um IPO, mas não existe data garantida.
3. A oferta de BP poderá aumentar
Hoje apenas uma parcela da oferta total está circulando.
Os desbloqueios futuros podem elevar significativamente a quantidade de BP disponível no mercado.
4. Equity não é automático
Ter BP não transforma automaticamente alguém em acionista da Backpack.
O programa possui regras, staking, período mínimo e restrições de elegibilidade.
5. Tokenização ainda é um mercado em formação
A legislação e os modelos de mercado continuam evoluindo.
6. A expansão americana não está concluída
A empresa continua construindo sua presença regulatória nos Estados Unidos.
7. A expansão para milhares de ativos ainda é uma ambição
Escalar de dezenas para milhares exige tecnologia, liquidez, compliance e operação em uma escala muito maior.
8. A concorrência será pesada
Exchanges, corretoras e empresas tradicionais também estão entrando no mercado de tokenização.
Então a Backpack Exchange é a próxima Binance?
Ainda é cedo demais para fazer essa afirmação.
A Backpack é muito menor do que a Binance e o BP está muito distante da escala alcançada pelo BNB.
Mas existe algo que torna o projeto particularmente interessante para acompanhar.
A Backpack não está tentando simplesmente copiar a Binance.
Ela está tentando construir outro tipo de plataforma.
O objetivo é aproximar:
- criptomoedas;
- stablecoins;
- ações e ETFs;
- valores mobiliários tokenizados;
- autocustódia;
- DeFi;
- corretagem;
- derivativos;
- e eventualmente participação dos próprios usuários no capital da empresa.
Se essa infraestrutura conseguir crescer em escala global, a comparação com grandes exchanges poderá ganhar mais fundamento.
Mas isso ainda precisa ser provado.
Conclusão
A história da Backpack Exchange ainda está sendo escrita.
Em poucos anos, a empresa passou de uma carteira criada no ecossistema Solana para uma plataforma que reúne exchange, corretagem, ativos tokenizados e um token próprio.
Em 2026, deu um passo particularmente ambicioso ao tentar criar uma ponte entre ações tradicionais e blockchain.
A Backpack afirma já ter dezenas de ativos tokenizados e bilhões de dólares em volume acumulado nesse segmento.
O BP acrescenta outra peça interessante à história, com uma oferta estruturada em fases, benefícios para staking e programas ligados a um eventual evento de liquidez da própria empresa.
E a diferença de valuation em relação ao BNB ajuda a explicar por que alguns investidores enxergam um possível upside tão grande.
No cenário puramente matemático analisado neste artigo, um BP com apenas 20% do FDV atual do BNB resultaria em aproximadamente US$ 19 por token.
Mas a matemática é a parte fácil.
O desafio é a empresa executar o crescimento necessário para justificar uma avaliação dessa magnitude.
A operação americana continua em expansão. O IPO ainda não aconteceu. Grande parte dos BP ainda não está em circulação. A tokenização de ações continua sendo um mercado jovem. E concorrentes enormes estão olhando para a mesma oportunidade.
Por isso, talvez a pergunta mais interessante não seja simplesmente:
“A Backpack será a próxima Binance?”
Talvez seja:
“Se a Backpack conseguir unir exchange, ações, tokenização, autocustódia e DeFi em uma única plataforma global, quanto esse ecossistema poderia valer?”
A resposta ainda não existe.
Mas é justamente essa diferença entre o tamanho atual e a ambição futura que torna a história da Backpack tão interessante para acompanhar.
Aviso: Este conteúdo tem caráter exclusivamente educativo e informativo e não constitui recomendação de investimento. O cenário de US$ 19,04 por BP é apenas um exercício matemático baseado em uma hipótese de valuation e não representa previsão, preço-alvo ou promessa de valorização. Criptoativos e valores mobiliários tokenizados envolvem riscos e podem resultar em perda parcial ou total do capital. Dados de preço, capitalização e FDV utilizados na comparação refletem aproximadamente a situação em 19 de outubro de 2026 e podem mudar rapidamente.

